terça-feira, 12 de junho de 2012

Com novo selo, Marfrig tenta avançar na Cota Hilton







Ainda que em fase inicial e com um volume de produção pouco expressivo, a Marfrig anunciou ontem que recebeu do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) o selo socioambiental Rainforest Alliance Certified, num movimento que poderá alavancar as exportações da companhia para a Europa por meio Cota Hilton. Primeira companhia de proteína animal do mundo a receber a certificação, a Marfrig prevê, ainda, ganhar mercados "exigentes" de países como Inglaterra, Alemanha, França, Holanda e Itália.


"Vamos garantir canais de vendas onde antes não podíamos competir com Uruguai e Argentina", afirmou o CEO da Marfrig Beef - divisão de bovinos da companhia -, James Cruden, em encontro na Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte), em São Paulo. Segundo ele, uma das possibilidades com a certificação é ampliar os embarques para a Europa por conta de exigências como a rastreabilidade do gado bovino desde a desmama.


No caso da Rainforest, uma das exigências entre os mais de 130 critérios analisados é a rastreabilidade do animal desde o seu nascimento. "E o gado rastreado na Fazenda São Marcelo se habilita para essa cota", explicou Cruden, citando a propriedade do Grupo JD, em Tangará da Serra (MT), que se tornou a primeira área de produção de gado do mundo a receber o selo.


Com a certificação, o Grupo JD fornecerá o gado para a unidade de abates da Marfrig localizada no mesmo município. "Serão cerca de 20 mil cabeças de gado neste ano", revela Arnaldo Eijsink, proprietário da fazenda. Ele espera entregar os primeiros animais dentro de 20 dias.


Apesar da expectativa, James Cruden reconhece que o volume fornecido por Eijsink ainda é insuficiente para fazer o negócio deslanchar. "Vamos precisar de mais produtores", diz o executivo. Segundo ele, a comercialização da produção com o selo se tornará viável apenas quando o número de animais ofertados atingir cerca de 1 mil cabeças por mês, o que equivale a capacidade de um dia de abate do frigorífico no município de Tangará da Serra.


Por conta dessa necessidade, Eijsink afirma que uma das cláusulas do contrato é a possibilidade de outros pecuaristas conheceram sua propriedade e as exigências da certificação. "Não é de nosso interesse que só nossa fazenda seja certificada", diz o pecuarista que também é o maior produtor de uva de mesa do Brasil. Por enquanto, a Marfrig revela o interesse do Carrefour em comprar a carne certificada. "Foi a primeira rede a manifestar o interesse a partir dos contatos que Eisjink já tinha com a rede por causa da produção de uvas", afirma Cruden.




Fonte: http://www.valor.com.br/empresas

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