quinta-feira, 7 de junho de 2012

JBS nega acusações de relatório do Greenpeace




SÃO PAULO - A JBS contestou as informações divulgadas hoje por um relatório da ONG ambientalista Greenpeace. Em comunicado protocolado na CVM, a empresa afirma que as denúncias da organização “são falsas, enganosas, incorretas e induzem a sociedade a uma conclusão equivocada sobre a realidade dos fatos” e que a companhia entrará com uma ação na Justiça contra o Greenpeace.

Segundo a organização, a JBS não teria respeitado um acordo firmado com o Ministério Público Federal, em que se comprometia a não comprar animais provenientes de áreas desmatadas, de territórios indígenas ou de propriedades rurais embargadas por empregar pessoas em condições análogas à escravidão. No relatório, a ONG cita uma série de casos em que a maior produtor mundial de carne bovina teria desrespeitado o acordo.

No comunicado enviado à CVM, a JBS rebate cada uma das acusações. No caso da Fazenda Flor da Mata, a empresa informa que a última compra de gado da propriedade em questão aconteceu em 15 de julho do ano passado, quando a fazenda não fazia parte da listagem do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “A inclusão da fazenda na lista do Ibama ocorreu no dia 2 de dezembro de 2011, ou seja, posteriormente ao último negócio. Após a inclusão na lista a propriedade foi automaticamente suspensa da relação de fornecedores da companhia”, diz o comunicado.

A JBS afirma, ainda, que a acusação de que a empresa teria comprado gado da Fazenda Tesouro Vienense, também embargada pelo Ibama, não procede. Segundo a JBS, a última aquisição de matéria-prima feita pela empresa junto à referida propriedade ocorreu em 25 de novembro do ano passado, momento anterior à inclusão da fazenda na lista do Ibama. A companhia negou, também, que as Fazendas Vento Sul, Muiraquitã e JK Pneus façam parte da lista do Ibama, conforme afirma a denúncia do Greenpece.

No caso da denúncia sobre a Fazenda Santa Rita de Cássia, em que o Greenpeace acusa a JBS de comprar gado de uma fazenda com mão de obra análoga à escravidão, a empresa argumenta que a propriedade localizada no município de Juara (MT), pertence a Antônio Carlos Rangel de Almeida, e não a Fabiano Queiroz, conforme afirmou a organização ambientalista. Segundo a JBS, Antônio Carlos Rangel de Almeida não consta na lista do Ministério do Trabalho. “A propriedade do senhor Fabiano Queiroz, citado no relatório, tem o mesmo nome (Santa Rita de Cássia), porém está localizada no município de Nova Monte Verde (MT) e encontra-se bloqueada na lista de fornecedores da JBS”.

Acusada de adquirir gado da Fazenda Panterra, que estaria em uma terra indígena no Pará, a JBS afirma que a propriedade em questão está situada a 339,15 quilômetros de distância da divisa da reserva indígena. “A área indígena mais próxima da fazenda Pantera é a Badjonkore, que está localizada a 11,13 quilômetros de distância”, afirma o comunicado da empresa. Já em relação à Fazenda Panorama, também em terra indígena, a companha informa que a propriedade não consta no cadastro de seus fornecedores.

A JBS diz, ainda, que “as outras nove fazendas mencionadas no relatório da ONG apontadas como localizadas na terra indígena Marãiwatsede, a companhia tem os pontos georreferenciados dessas propriedades localizados fora da área da reserva” e que o acordo assumido com o Greenpeace diz que as fazendas devem ser bloqueadas apenas “após a ciência inequívoca pela JBS da comprovação de sua localização em terras indígenas”. De todo modo, a JBS reconhece que recebeu “uma única notificação por parte do Ministério Público Federal e todas as fazendas lá mencionadas encontram-se bloqueadas no sistema da companhia”.

Já em relação à Pampeano Alimentos, a JBS afirma que a referida empresa não pertente a ela, mas a Marfrig. Nesse caso, contudo, a companhia reconhece que fornece matéria-prima para a Pampeano Alimentos, por meio de sua unidade em Barra das Garças (MT) e de outras unidades mencionados no relatório da Greenpeace.

No que diz respeito às acusações de fornecedores indiretos, a JBS afirma que mantém relações diretas somente com pecuaristas que atuam na etapa de engorda e terminação de animais, atividade que é monitorada pela empresa.

No comunicado, JBS ressalta, ainda, que o monitoramento dos fornecedores indiretos só seria possível se o Brasil tivesse um sistema de rastreabilidade que permitisse a identificação da origem do gado desde o nascimento até sua terminação. “É importante frisar que consta no acordo com o Greenpeace a reavaliação desse ponto devido à sua complexidade”, destaca a empresa.


Fonte: http://www.valor.com.br

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