sábado, 17 de novembro de 2012

Escassez de bezerros é prevista para os próximos anos no Brasil





A consolidação do aumento de abates de fêmeas irá provocar a redução da oferta de bezerros a curto prazo no país. A estimativa de queda na produção da carne de bovinos será percebida daqui, no mínimo, a dois anos, de acordo com produtores e representantes da pecuária brasileira. Por enquanto, o preço do bezerro, atrativo para os compradores, está sustentando o mercado.

Mas o que tudo indica é que este cenário de preços baixos, levando em conta que o bezerro esta custando em média R$ 630 quando o ideal seria de pelo menos R$ 800, não deve continuar. "Se confirmada a falta de animais para cria os preços ficaram elevados a partir dos próximos cinco anos", disse o analista da Scot Consultoria, Alcides Torres, durante o evento 'A pecuária de corte no divã dos analistas', realizado nesta sexta-feira (9), em São Paulo.

Conforme ele, os produtores devem estar atentos as modificações. Para Torres, a alternativa para que a produção de bezerros não fique escassa é o investimento em tecnologia e na utilização de áreas pouco produtivas, como o Pantanal Sul-matogrossense, a região dos Pampas no Sul do país e o semiárido do nordeste.

O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Sérgio De Zen, acrescenta que essa prática - o uso de áreas normalmente pouco produtivas - é feita em países como os Estados Unidos e a Austrália. "O Brasil tem uma menor produtividade, quanto às suas vacas, em relação a outros importantes países pecuários", pontua.

Dificuldades

O aumento da produção de bezerros, consequentemente de bovinos, não deve vir da abertura de novas áreas por conta das restrições ambientais. O operador de mercados agrícolas na Bes Securities, Leandro Bovo, pontua que apesar da cria ser o fator chave para e pecuária do futuro será necessário haver um remanejamento da forma de remuneração para que o criador não se desestimule a produzir.

Fábio Dias, responsável técnico da Agropecuária Santa Bárbara, empreendimento de criação de gado na região sul do Pará, acrescenta que o nível atual de rentabilidade ainda não a torna atrativa. "A cria é muito mais difícil do que a recria e engorda. A dependência tecnológica é muito grande". Ele aponta que o ciclo completo talvez seja mais atrativo do que a cria, considerando a variação do prêmio ao londo da cadeia.

Mas o superintedente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat, Luciano Vacari, afirma que a crise da cria de bezerros no país vai continuar se não houver um mecanismo de valoriação da cria. "A moeda da pecuária é o bezerro. Enquanto tivermos a lógica de que o confinamento é a salvação da pecuária e da agricultura mundial, com os confinadores querendo pagar barato na sua matéria prima, a crise continuará". No Brasil, 85% do abate vem do pasto.

Renda versus gestão

O analista da Scot Consultoria, Gustavo Aguiar, acredita que falta gestão para o pecuarista implantar as tecnologias necessárias no campo. " O agricultor sabe o seu custo, na pecuária isso é difícil."

Entreanto, o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, afirma que o fator limitante para o acesso a tecnlogia é a falta de renda do produtor, atrelado a necessidade de participação mais efetiva do governo na cadeia da pecuária brasileira. "O aumento de produtividade está ligado ao aumento de política pública (financiamento)", diz.
Fonte: Agrodebate

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