terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Rastreabilidade: Austrália tem há 30 anos e EUA discute sua implantação – saiba mais sobre o tema para o mercado global



Uma melhor rastreabilidade na pecuária de corte dos Estados Unidos será necessária para competir no mercado internacional e agregar valor ao produto da fazenda à mesa, mas barreiras significantes permanecem para sua adoção. Essas foram as principais mensagens discutidas durante o Congresso Internacional de Pecuária em Denver. A equipe de especialistas era formada pelo vice-presidente de comercialização internacional da JBS, Mark Gustafson, pelo vice-presidente executivo da AgriBeef, Rick Stott, e pelo diretor executivo do grupo Beef Marketing, John Butler. Leann Saunders, do “Where Food Comes From, Inc.”, moderou a discussão.
Saunders disse que, historicamente, a rastreabilidade nos Estados Unidos foi direcionada pelo mercado, com alguns produtores buscando prêmios por “story beef” (carne com história). A descoberta de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) nos Estados Unidos e os fechamentos subsequentes nos mercados de exportação do país criaram a demanda por verificação de idade na última década. À medida que os produtores se engajaram na identificação de idade, adicionaram uma verificação de origem e, em alguns casos, uma verificação de processo para agregação de valor.
A lei federal de Rastreabilidade de Doenças Animais (ADP, sigla em inglês) que entrará em vigor em 11 de março, foca exclusivamente em doenças, ao invés da verificação de atributos de valor agregado ou qualificação da carne bovina para exportação. Saunders disse que a abrangência da lei é mais tolerante do que sistemas obrigatórios em prática na maioria de outros países exportadores de carne bovina. Gustafson disse que a maioria dos países tem algum grau de rastreabilidade, com o sistema da Austrália provavelmente sendo o mais sofisticado. Ele comentou que os australianos há 30 anos já debatiam as questões que eles estão debatendo agora. Sem um acordo voluntário, o governo entrou com um programa obrigatório.
O sistema resultante ajudou a tornar a carne bovina da Austrália altamente competitiva internacionalmente. A China, continuou Gustafson, insistirá na rastreabilidade como condição para qualquer acordo eventual para importação de carne bovina dos Estados Unidos. A falta de rastreabilidade poderia se tornar uma barreira comercial não tarifária mais significante para a carne bovina dos Estados Unidos.
Stott disse que a operação da AgriBeef é de cria até a terminação confinamento, com embalagem própria e usa a rastreabilidade animal principalmente para uso interno, buscando melhorar a qualidade da carne e a produtividade. Entre os produtos de marca de carne bovina da companhia, somente um, o “Snake River Farms”, é identificado a nível de varejo como possível de ser rastreado à fazenda. Essa marca vende produtos de carne bovina Wagyu americana e grande parte é exportada. Os varejistas dos Estados Unidos, disse Stott, atualmente não estão pedindo por rastreabilidade nos produtos de carne bovina. Ao invés disso, eles focam em qualidade, consistência e valor.
Butler disse que o Beef Marketing Group (BMG) consiste de 16 confinamentos em Nebraska e Kansas. A rastreabilidade em seu sistema de produção melhora a transparência com os clientes e ajuda a agregar valor. Os programas de rastreabilidade do BMG são voluntários e direcionados pelo mercado, disse ele.
Cada vez mais, os membros da cadeia de produção poderão pressionar os produtores a implementar a rastreabilidade e sistemas de verificação. Butler citou o programa “Farm Check” de auditorias da Tyson, que está em desenvolvimento nesse ano para implementação em 2014 e o programa de auditoria da Whole Foods através do Global Animal Partnership.
Quanto à questão referente ao valor da rastreabilidade e as verificações nos mercados de exportação, Gustafson disse que em alguns casos onde as verificações são requeridas por países importadores, como verificação de idade no Japão e de gado não tratado com hormônios na Europa, os produtores ganharam prêmios sobre os animais qualificados.
Em outros casos, a rastreabilidade pode somente se tornar parte do custo. Ele disse que a JBS uma vez propôs um sistema amplo de rastreabilidade para ser aplicado à carne bovina que a companhia exporta ao Japão. O processo adicionaria 21 centavos por libra (0,450 kg) ao custo da carne bovina exportada e os clientes japoneses disseram eles que não pagariam um preço extra. Se a JBS implementasse o sistema, teria que absorver o custo.
O diretor de esforços de sustentabilidade da BASF, Cristain Barcan, que participou de discussões anteriores sobre o tema, comentou que a rastreabilidade pode ter um papel na melhora da rastreabilidade da carne bovina reduzindo potencialmente a necessidade de grandes recolhimentos de produtos e resultando em perda de alimentos valiosos e de todos os insumos usados para criá-los.
Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pelo blogueiro.

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