domingo, 17 de março de 2013

“Não podemos deixar a carne se tornar uma lagosta”

Os preços da carne bovina nos Estados Unidos podem aumentar até 10% no verão. Os principais produtores e vendedores se preocupampois a carne bovina poderá se tornar um item de luxo.


"Não podemos deixar a carne se tornar uma lagosta", relatou o presidente da Associação dos Pecuaristas de Iowa.


Os preços da carne bovina no varejo subiram, em média, U$2,20 por quilo desde 2007. Nos últimos dois anos o preço do boi gordo subiu 25,0%, pelo fato de o rebanho ter caído para os menores níveis nas últimas seis décadas. Enquanto isso a demanda por carne importada cresceu.


A Associação dos Pecuaristas de Iowa mostra a preocupação com a alta dos preços na carne bovina e uma diminuição da demanda devido à cotação elevada. Atualmente o rebanho norte americano é de 89,3 milhões de cabeças, menor nível desde 1952, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).


Uma rede de supermercados em Des Moines vende cortes de carne bovina por menos de US$4,00 por pacote para, segundo eles, manter viva a preferência dos clientes por carne bovina. O supermercado também tem comercializado a carne em porções menores, de 300g, ao invés dos tradicionais 450g.


A estratégia de reduzir o tamanho dos cortes é uma maneira de diminuir a percepção dos consumidores em relação ao aumento dos preços. Com isso parte da demanda permanece, apesar da redução do peso produto.


Devido ao aumento do preço da carne bovina ao longo da cadeia de produção, alguns restaurantes estão elevando o preço dos seus itens.


Alguns produtores relatam que a alta nos preços do milho elevou os custos de produção e isso os forçou a reduzir seus rebanhos. Isso, somado à boa demanda por carne, gera elevação de preços. Além disso deve-se considerar acompetição do milho para produção do etanol


"A carne bovina está em risco de se tornar um item de luxo", relata um produtor.


Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a população, nos últimos quarenta anos, aumentou mais do que a produção de carne bovina. Isto diminuiu a disponibilidade per capita de carne bovina. Veja a figura 1.







Sinais de enfraquecimento da demanda por carne bovina têm aparecido nas últimas semanas.


As carnes de suíno e de frango, concorrentes da carne bovina, têm um ciclo de produção muito mais curto e preços atraentes.


Em alguns sistemas de produção os suínos, do nascimento ao abate, levam 100 dias. As aves, em média, 40 dias. Isso mostra que realmente sistemas com "giros" mais rápidos podem recuperar suas perpectivas em um curto prazo.


Na carne bovina, um ano com poucos investimentos e diminuição dos nascimentos gerará reflexos nos anos seguintes, enquanto em aves e suínos os reflexos serão observados com maior rapidez.


Os preços da carne de frango atingiram níveis recordes em 2012, mas, mesmo assim, ficaram mais baratas do que os cortes de carne bovina no varejo, segundo o USDA.


Redes varejistas relatam vendas crescentes de carne de frango. Restaurantes tradicionais por seus pratos à base de carne bovina já incluíram opções com carne de frango e peixe em seus menus.


Mas muitos clientes prometem continuar a consumir carne bovina mesmo com preços elevados.


Nos últimos anos, a causa do grande aumento na demanda e nos preços da carne bovina norte-americana veio das exportações. Em alguns países, consumir carne norte-americana é sinal de status.


No final de 2012 houve uma redução da demanda externa por carne bovina. As exportações,que aumentaram 30% em 2011, caíram 12,0% no ano passado, também devido aos níveis recordes dos preços do gado no segundo semestre de 2012.


Os varejistas americanos sabem que a resistência aos preços mostrada pelos clientes no Japão, México, Coréia do Sul e Canadá podem facilmente aparecer no mercado doméstico.


O varejo tem trabalhado com cortes menores, mais econômicos, para alavancar as vendas e ajudar a manter a preferência dos clientes por carne bovina.


Segundo o USDA, em 2012 a média anual da carne bovina no varejo foi de US$10,33 por quilo, um aumento de 19,7% em relação à média anual de 2007, que foi de US$8,30 por quilo. Veja a figura 2.





Podemos notar que os preços da carne realmente estão aumentando e, com um menor rebanho nos EUA, a tendência é que as cotações subam mais. Entretanto, os preços vão depender de como a população vai reagir ao aumento dos preços e como vai se comportar a demanda.


Fonte: Des Moines Register Journal. Por Dan Piller. 16 de fevereiro de 2013.


Tradução, adaptação e comentário de Antônio Guimarães, engenheiro agrônomo e analista júnior da Scot Consultoria.

e reformulado pelo blogueiro


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