sexta-feira, 5 de abril de 2013

CNA defende medidas para viabilizar crescimento da atividade leiteira



O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, defendeu nesta quinta-feira (4/4) a implementação de medidas para fortalecer a produção primária leiteira, possibilitando o aumento de produtividade e a geração de mais renda aos pequenos produtores. A lista de ações inclui prioridades como projetos de melhoria da qualidade de leite, capacitação técnica de produtores, qualificação de mão de obra, inovação tecnológica, assistência técnica, controle de resíduos contaminantes, defesa sanitária e políticas de crédito. O tema foi discutido em audiência pública, na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), do Senado, que debateu propostas para fortalecer a cadeia produtiva do setor lácteo brasileiro.

Segundo Alvim, com estas e outras iniciativas, os pequenos pecuaristas leiteiros, que respondem por 80% do total de produtores, mas detêm parcela de apenas 26% da produção, têm condições de dobrar a oferta de leite em suas propriedades nos próximos anos. Hoje, o Brasil é o quarto maior produtor mundial de leite, com volume próximo dos 33 bilhões de litros por ano, o equivalente a 5,6% do que é produzido mundialmente. Atualmente, 25% dos estabelecimentos rurais no País estão na atividade. “Os pequenos produtores poderão ampliar sua oferta rapidamente, saindo de 50 litros para 100 litros diários, inserindo-se na atividade e obtendo mais renda para sustentar suas famílias”, destacou.

Alvim falou, também, sobre as ações que a CNA e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) vêm desenvolvendo para proporcionar a expansão da atividade leiteira. Uma delas é o projeto Produção de Leite de Qualidade, desenvolvido em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com foco na capacitação de produtores para atender aos padrões de qualidade estabelecidos na Instrução Normativa (IN) 62 . “Não há como permanecer no mercado sem investir em qualidade”, ressaltou.

Em relação às questões sanitárias, uma das prioridades da entidade é o controle de resíduos contaminantes e de doenças como a brucelose e tuberculose bovina, para que o Brasil volte a conquistar novos mercados no setor lácteo internacional e ampliar o consumo no mercado interno. Alvim lembrou que a assistência técnica é outra demanda do setor, defendida recentemente pela presidente da entidade, senadora Kátia Abreu, junto à presidente da República, Dilma Rousseff.

Outro desafio para o setor primário da produção é a qualificação de mão de obra. Na avaliação de Rodrigo Alvim, este é um dos principais gargalos, diante da escassez de trabalhadores qualificados e do aumento do salário mínimo, o que acaba gerando mais custos e compromete a rentabilidade da atividade.

A mão de obra é um dos itens de maior peso no custo de produção da atividade, juntamente com os preços dos insumos usados na alimentação dos animais. Apesar dos custos menores em relação ao ano passado, o representante da CNA afirmou que a redução das despesas será fator decisivo para o aumento da produção. Enquanto a produtividade média no Brasil é de 4,6 litros/animal/dia, na Argentina este índice é de 9,8 litros/animal/dia. “A maioria das nossas 32 milhões de vacas ainda passam fome. Se alimentarmos todo nosso rebanho, dobraremos a produção brasileira”, acrescentou.

O presidente da Comissão de Pecuária de Leite da CNA reforçou, também, a necessidade de linhas de crédito a juros baixos, para que o setor primário possa investir em infraestrutura dentro da sua propriedade, a partir da aquisição de tanques de refrigeração na ordenha da produção.

Participaram da audiência pública o secretário de Política Agrícola - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Neri Geller, o presidente da Associação Brasileira de Pequenas e Médias Cooperativas e Empresas de Laticínios (ABPMCEL), José Carnielli, a chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite, Elizabeth Nogueira Fernandes, e o analista de Mercado da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Gustavo Beduschi.

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