terça-feira, 30 de julho de 2013

Safra de mandioca deve ser a menor em 10 anos



A oferta nacional de raiz de mandioca tem apresentado expressiva redução desde meados de 2012 em consequência do clima desfavorável para a produção no Nordeste. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2012, a produção nordestina foi 24,5% menor que a de 2011, influenciando a diminuição na oferta brasileira. Neste ano, a produção de mandioca no Brasil deverá ser de 21,4 milhões de toneladas, com decréscimo de 8,4% em comparação à de 2012. Se concretizada, será a menor oferta nacional desde 2003. A informação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O cenário leva agentes nordestinos a se abastecerem com farinha e até mesmo raiz proveniente do Centro-Sul do Brasil, acirrando a disputa pelos produtos. No Paraná, a oferta deve ser a menor em cinco anos, segundo dados da Seab/Deral (Secretaria da Agricultura e Abastecimento).

Conforme números do IBGE, nos principais Estados produtores e processadores de mandioca, a produção deve ter expressiva quebra em comparação com a do ano passado. Na Bahia, a diminuição deve ser de 43%, enquanto que, no Pará, a baixa deve ficar em 2,5%. No principal produtor do Centro-Sul, o Paraná, apesar de ser maior a área colhida, a oferta deve reduzir 4,5%, devido à menor produtividade.

A demanda por raiz e derivados, por outro lado, é crescente. Nesse contexto, os preços da mandioca e dos derivados têm subido em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. A alta nas cotações da raiz e dos derivados ganhou mais força em julho do ano passado, persistindo até março de 2013, quando, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI de junho de 2013), atingiu média mensal recorde de R$ 346,17 a tonelada (R$ 0,6020 a grama). Em seguida, houve melhora na oferta e os preços foram pressionados até maio. Chuvas intensas a partir de junho, no entanto, reduziram a oferta novamente, e os preços voltaram a subir naquele mês. As altas também foram influenciadas pela menor disponibilidade de raízes de segundo ciclo e pela opção de produtores em postergar a colheita.

Em julho, a disponibilidade de raízes de segundo ciclo segue baixa em parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. Ao mesmo tempo, produtores têm demonstrado pouco interesse em colher a raiz de primeiro ciclo. Pesquisadores do Cepea consideram que, no segundo semestre, a oferta poderá ser ainda menor, resultando em dificuldades na produção de fécula e farinha e mantendo os preços em patamares mais elevados.

Fécula

Devido à oferta mais restrita da matéria-prima, no primeiro semestre de 2013, a quantidade de raízes processada nas fecularias foi apenas 0,5% superior à do semestre anterior, mas 5,8% abaixo da do primeiro período de 2012. Segundo dados do Cepea, o volume processado foi o menor em um primeiro semestre desde 2006. Assim, estima-se que a produção anual de fécula poderá ficar abaixo da obtida em 2012 (519,67 mil toneladas), uma vez que, neste semestre, a oferta de raízes poderá ser ainda menor.

A demanda por fécula de mandioca, por sua vez, esteve maior nos primeiros seis meses de 2013, puxada pelo bom desempenho das vendas dos produtos que utilizam o derivado como insumo. Com processamento menor e demanda aquecida, fecularias não conseguiram formar estoques, que, em março, chegaram aos mais baixos níveis da série do Cepea. Assim, os preços da fécula de mandioca também seguiram em alta no primeiro semestre de 2013. Em termos reais, no período entre 15 e 19 de julho, a fécula de mandioca atingiu a máxima de R$ 2.044,53 a tonelada, a maior média semanal desde dezembro de 2004, sendo o sétimo recorde consecutivo, em termos nominais.

Farinha

O clima desfavorável no Nordeste impactou de forma mais intensa a oferta de farinha de mandioca na região, fazendo com que compradores passassem a se abastecer com o produto do Centro-Sul. Assim, as cotações da farinha de mandioca branca crua/fina tipo 1 também apresentaram movimento de alta a partir de julho de 2012, tendo continuidade até fevereiro de 2013, quando o valor médio do produto (FOB farinheira) nas regiões acompanhadas pelo Cepea atingiu R$ 128,37 a saca de 50 kg, que, em termos reais, foi 118% acima da média de mesmo período de 2012.

A farinha de mandioca branca crua/grossa teve comportamento de preços similar. Em fevereiro de 2013, a cotação média do Centro-Sul atingiu R$ 102,18 a saca de 40 kg, média que superou em 115% a de igual período de 2012. Na parcial de julho (até o dia 19), a média da farinha de mandioca branca crua/fina tipo 1 negociada no Centro-Sul foi de R$ 109,42 a saca de 50 kg.

Boletim semanal

A disponibilidade de raízes de segundo ciclo continua baixa nas regiões acompanhadas pelo Cepea, informou a entidade em seu boletim nesta segunda, dia 29. Agricultores têm priorizado as atividades de preparo de solo e/ou plantio. Além disso, chuvas no início da semana passada prejudicaram a colheita, e as baixas temperaturas levaram parte dos produtores a iniciar a separação das manivas para evitar possíveis perdas com as geadas em algumas áreas.

Diante disso, o volume de mandioca processado na indústria de fécula recuou frente à semana anterior, e os preços subiram. Do lado da indústria, a demanda está maior, devido à necessidade de reposição de estoques, o que elevou a disputa pelo produto. Este fator também impulsionou os valores da raiz. Agentes consultados pelo Cepea apontam que o plantio


Fonte: CEPEA


Siga IMOVEI$ RURAI$ OPORTUNIDADE$ & NEGÓCIO$ no twitter->@jlmmattos

Nenhum comentário:

Postar um comentário