quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Linha especial do plano agropecuário 13/14 para financiar a construção de armazéns privados ainda não entrou em funcionamento.

Quase dois meses após ser anunciada, a linha especial do plano agropecuário 13/14 para financiar a construção de armazéns privados ainda não entrou em funcionamento. Há interessados em acessá-la, mas, por enquanto, sem o recurso disponível as propostas que chegam às agências bancárias públicas continuam apenas no papel. Em cinco anos serão R$ 25 bilhões. No primeiro, será um quinto deste valor, R$ 5 bilhões.

O Banco do Brasil, uma das instituições financeiras que vão operacionalizar a linha, ainda aguarda do governo a confirmação de qual será a fonte financeira para os investimentos. O agente depende da regulamentação do Banco Central das condições e normas que serão adotadas.

Sem a normatização do Bacen, a instituição pode apenas registrar o interesse dos possíveis contratantes, já que não dispõe de um sistema com as regras formatadas. Ainda não pode acolher as manifestações, pois não possui mecanismos para confrontar as informações apresentadas.

O Ministério da Fazenda e o Banco Central não souberam informar quando a portaria de equalização deve ser publicada.

Gigante à espera

Em Mato Grosso há interessados na linha especial com juros mensais de 3,5% e prazo maior para pagamento. "A procura está aquecida, especialmente neste estado onde a demanda por novos armazéns é permanente", disse o gerente de mercado do agronegócio da superintendência do Banco do Brasil, Brasiliano Borges.

Maior produtor brasileiro de grãos, Mato Grosso conta com uma capacidade estática para armazenar 29 milhões de toneladas, de acordo com a Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento. Mas apenas a soma das safras de soja e milho (2ª safra) resulta em mais de 40 milhões de toneladas.
Com déficit, agricultores são obrigados a estocar a produção a céu aberto. Outros adquirem silos bolsa para minimizar a falta de unidades para recebimento.

Em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá, o produtor Júlio Cinpak entregou 70 mil sacas de milho em uma cooperativa do município. Mas também recorreu às bolsas para guardar em torno de 30 mil sacas na própria fazenda. “Não haveria espaço na cooperativa para receber tudo aquilo que está saindo do campo”, disse o empresário.

“Optamos [pelo silo bolsa] para não ‘jogar’ fora dos armazéns”, pontuou ainda.

Interesse x custo

Produtor rural em Sinop, a 503 km de Cuiabá, André Lunardi alerta que a disparada nos custos para construir armazéns pode frear o interesse do produtor rural. “Subiram os preços desde quando saiu esta linha de financiamento. Além disso, não há mão de obra suficiente”, citou.

Segundo o agricultor, a construção de uma unidade para 120 mil sacas, anteriormente avaliada em R$ 1,5 milhão, passou para R$ 5 milhões.

“Um preço deste fica inviável. Além disso, aqueles produtores que não trabalham com os bancos oficiais também terão que ‘disputar’ os outros 20% da fatia dos recursos disponibilizados aos bancos privados e cooperativas de crédito. Isto porque o Banco do Brasil ficou com pelo menos 80% dos recursos previstos”, observou o produtor.

Fonte: Agrodebate


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